Vivendo de games
28 de Julho de 2010 às 10:12 admin | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 95
Como trabalha e quanto ganha um profissional que faz da diversão seu ganha-pão, criando personagens para jogos eletrônicos
POR CRISTINE GERK
Rio - Já pensou como seria bom ganhar dinheiro construindo bonecos de massinha ou testando videogames? O artista Rodrigo Cardoso, 32 anos, imaginou ainda criança que essa seria uma boa ideia e decidiu não ficar só no sonho. Ele é um dos brasileiros que vivem do mercado de games, responsável por movimentar cerca de R$ 87 milhões por ano no país, segundo a Abragames, associação que reúne os fabricantes de jogos. E isso é só o início.
A rotina de trabalho de Rodrigo não é nada convencional. Ele começa o dia escrevendo num papel todas as características do personagem que vai criar. Depois de desenhá-lo no papel em tamanho real, monta o boneco com uma massa de modelar e, se for o caso, pinta-o com óleo. Finalmente, fotografa seu novo brinquedo e começa a manipulá-lo no computador. Em minutos, sua imaginação ganha vida. Segundo Rodrigo, o protótipo tem que ser construído de verdade para que se possa observar seus movimentos e reações à luz e assim criar no computador algo bem fiel à realidade.
“Sempre fui fã de brinquedos, desde novinho. Adorava jogos de montar, encaixar, massinha de modelar. Aos 17 anos, comecei a fazer meus protótipos e decidi cursar Belas Artes”, conta. Hoje vende um de seus bonecos de cerca de 15 cm por R$ 700. A renda é muito instável, mas o artista chega a faturar de R$ 6 a R$ 8 mil com projetos. O investimento também é alto. Cada tablete de massinha custa cerca de R$ 35 e as licenças para usar os softwares de animação saem por mais de mil reais. “Quem trabalha com isso é chamado de lunático. Mas os que sobrevivem e dão certo não trocam por nada. Há poucas empresas agora trabalhando modelagem, mas o mercado tende a crescer”.
Rodrigo tem razão. A expectativa é de que o mercado mundial de games fature 73,5 bilhões de dólares (cerca de R$ 132 bilhões) em 2013. Os games já movimentam mais dinheiro do que a indústria fonográfica, e até mesmo Hollywood. Estimativas apontam o Brasil como um mercado de 40 milhões de jogadores que usam as mais diferentes plataformas — sendo 15 milhões fãs de PlayStation 2.
Conselhos do mestre
A esperança de que o mercado ainda vai crescer também motiva o professor Douglas Madeira, 25, que dá aula de games na empresa Seven há três anos. Desde os 16 anos, quando começou a dar aulas num curso de computação, cansou de gastar dinheiro com games e de ouvir que é mais fácil encontrar 50 fracassados do que dois bem-sucedidos no ramo. “Se fosse tão ruim assim, empresas como Microsoft, Ubisoft, Nintendo ou Tectoy não teriam se instalado aqui. O Brasil tem um mercado consumidor enorme, mão de obra criativa e barata em games. O que falta é especialização. Muitos jogam, mas não sabem o que é um game”, diz.
Um dos alunos de Douglas foi Lucas Fischner, 19, que já começou a criar jogos para computador. “Comecei criando para mim. Já fiz um de nave, um campo minado e estou trabalhando num de luta. Testo jogos para pesquisar e já encaro jogar videogame como um trabalho”, conta.
Escola só de jogos
Em setembro, o Rio ganhará a sua primeira escola totalmente voltada para games. A empresa Seven está reformando um prédio de sete andares na Rua do Rosário, Centro, que poderá receber 2 mil alunos. “Em um ano e meio, os alunos serão especialistas em arte ou programação”, explica o artista Rodrigo Cardoso, que dará aulas na escola. Ele explica o papel de cada profissional. O game designer cria a história e as regras do jogo. O level design inventa os cenários e fases. O artista transforma a história do game designer em realidade. O programador estuda como passar as manobras para o console. “É preciso estudar anatomia e entender de musculatura para fazer um bom boneco, assim como ir aos lugares e conversar com as pessoas antes de criar um cenário”, diz. Pré-inscrições em http://bit.ly/SevenGames
Fonte: O DIA ONLINE
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